Laços entre Nós
Eu adoro criar laços com as pessoas.
Mas são laços, e não nós.
Um laço é singelo, ornamental e poético. Fácil de apertar ou de afrouxar; até mesmo de desmanchar.
O nó é cego, sisudo, egoísta e controlador. Não se molda a você, mas faz você se moldar a ele. Limita sua respiração, seus movimentos, seu ir e vir.
O laço é desenvolto, é quase um cúmplice. Te acompanha onde for e te deixa ir sem rancor. O laço te deixa crescer, não te censura, não te deixa mágoas nem marcas na pele. Não prende a sua circulação.
Já o nó é violento, dramático, apegado e dependente.
Desfazer um laço é simples: basta a um dos lados se esgueirar de mansinho, puxar o que é seu para junto de si e, à guisa de adeus, escorregar para longe dali.
Desfazer o nó cego é uma coisa mais complicada.
Só cortando, arrebentando ou gastando muita unha, ou uma lâmina afiada.
Na falta de coragem para cortar a relação de vez, também se pode cutucar, com um espeto, agulha ou intriga bem pontuda, no meio do coração do nó; desfiando aos poucos suas fibras, rompendo dissimuladamente, como água mole dissolve pedra dura, as amarras mais profundas.
Tudo isso não sem desgaste, sem feridas nem sem cada parte
sentindo ao sair dali que falta um pedaço de si.
Para refazer um laço perdido é fácil, basta querer.
Refazer o nó que é complicado, se depois de partidas, as duas partes
já não se alcançarem devido a um pedaço perdido de sua individualidade.
1 ninguém mais vai comentar?:
hahaahah
a ultima frase é:
"eu mem pergunto...pra quê existia
algema ATÉ ENTÃO?"
tendeu agora?
hahaaha
abração,
Paloma
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