sábado, 5 de abril de 2008

Web 2.0 - Amor à Distância (2)

Tudo começa com um amigo virtual. Não importa onde vocês tiveram o primeiro contato, e sim a freqüência com que vocês mantém esse contato. E também os meios pelos quais ele ocorre. Por exemplo: alguém que você vê num fórum do orkut que posta uma opinião muito sagaz e instigante, ou parecida com a sua, ou que de alguma maneira chama sua atenção. Algo faz com que você entre no perfil desse cara, e magicamente você descobre que:

  1. ele curte os mesmos filmes, livros, artistas e músicos que você;
  2. ele tem os mesmos hobbies e paixões;
  3. ele luta pelas mesmas causas;
  4. ele tem as mesmas ideologias;
  5. ele é descendente de italianos, e você adora italianos;
  6. ele é irreverente e bem-humorado;
  7. ele tem uma frase do seu filósofo favorito ou um trecho da melhor música da sua banda favorita no about;
  8. ele é gato pacas.
Mas tudo isso não é suficiente. Tem algo que eu não sei explicar, relacionado com a forma que a pessoa usa para escrever ou para se descrever, que influi na imagem que você terá dela, no exato momento em que ler aquele perfil. Depende também do seu estado de espírito, das coisas que estiver pensando, do seu momento atual, do seu timing. Então você arranja algum pretexto para puxar assunto com o indivíduo, deixando um scrap como quem não quer nada, e aguarda ansiosamente pela resposta. Se ela não vier, pode ser por N motivos. Se ela vier, pode ser com N intenções.

Ou então, você pode descobrir um blog incrível de um jovem muito sagaz e espirituoso que te faz dar altas risadas narrando passagens aleatórias de sua vida com detalhes que te fazem de alguma forma admirá-lo, seja por seu caráter, suas atitudes, seu humor, sua inteligência ou sua ideologia. Você pode nem ter visto uma foto do cara, mas se 'apaixona' pela pessoa que ele é. Então você o adiciona no msn e é aí que tudo começa. Se ele te der corda e também descobrir algo para admirar em você, a coisa prossegue.

Anyway, o diálogo tem que continuar de algum jeito, diariamente. Pode ser por orkut, e-mail, gtalk, MSN ou mesmo SMS. Ou todas as coisas juntas. Se seus assuntos e modos de teclar baterem, fica fácil engatar uma conversa. São inúmeros os fatores que podem ser determinantes para iniciar um processo de "aproximação" (entre aspas porque essa aproximação só acontece virtualmente, duh). Sem convívio freqüente não se pode criar um vínculo, nem mesmo com o alter ego de alguém. Você pode até observar essa pessoa, ler seu perfil e seu blog de cabo a rabo, colecionar informações que ela jamais imaginaria que alguém poderia fazer questão de investigar, mas ela pode nem saber que você existe. Você não acompanha seu dia-a-dia em tempo real, não ouve seus desabafos, não fala de si para ela, não avalia suas reações imediatas ao que você diz. Não há vínculo algum, não há feedback e, portanto, não passa de um ideal platônico ou mera curiosidade mórbida por alguém que desperta o seu interesse.

O Amor na Web 2.0 é mais do que isso. Tem a ver com convivência virtual. Como, isso? Seguintch: quando você convive com alguém com quem se dá bem, se acostuma com a pessoa e cria laços afetivos com ela, certo? E por que isso não poderia acontecer também virtualmente? É por isso que tem que haver um canal de comunicação freqüente - para favorecer essa convivência virtual. Não é alguém com quem você só conversa eventualmente e pergunta apenas "olá, como vai?". É alguém com quem, quando você vê online, necessariamente precisa falar, nem que seja pra colar um link de uma imagem engraçada que achou, ou contar que algo legal te aconteceu hoje ou perguntar se ele está melhor do resfriado. Ou alguém que você espera a semana toda que responda aquele seu scrap ou e-mail quilométrico, porque ele só entra na internet nos finais-de-semana. Já se ambos trabalham conectados no mesmo horário e usam o mesmo serviço de mensagens instantâneas, fica mais fácil, o contato é quase ininterrupto e não carece nem mesmo de cumprimentos e outras formalidades.

Outro fator determinantes para essa aproximação é tornar a coisa um pouco mais... real. Mensagens de voz, telefone, Google Earth, webcam, vídeos caseiros, cartas manuscritas, etc. Tudo isso contribui para você sentir que conhece a pessoa tão bem quanto alguém que pode ver e tocar. Você conhece a entonação da sua voz, o jeito de falar, os gestos que faz. Tudo isso revela um pouco da sua aura. E como eu falei no primeiro post, é a aura de alguém que te atrai ou te repele.

Com o tempo, a intimidade vai crescendo e ele se torna alguém que fica sempre minimizado na sua área de trabalho durante o expediente. Uma janela virtual para as suas paisagens mais repousantes. Alguém em quem você despeja seus sentimentos mais emergentes no exato momento em que ocorrem. Alguém que serve como p(l)ano de fundo no muro das suas lamentações, como carro-pipa de lágrimas eletrônicas, como válvula de escape, como depósito de desabafos. Alguém com quem você compartilha suas vitórias e a quem congratula quando divide as próprias com você. Quando você menos esperar, estará recebendo SMS de bom dia e boa noite, todos os dias quando acordar e antes de dormir. Ou SMS de 'boa viagem' e 'se cuida' quando estiver no meio da estrada e prestes a ficar uma semana sem entrar na internet.

Nessa convivência, você aprende a decifrar e interpretar as reações dessa pessoa aos mais diversos estímulos. Reações virtuais a estímulos virtuais, olha que coisa absurda. Vão desde a forma de digitar a risada e acompanhar as mensagens com emoticons, como as coisas mais sutis, como as 'geladas', quando a pessoa te evita ou te bloqueia por algum motivo. Você aprende a diferenciar as atitudes tomadas por brincadeira e as que realmente são em momentos de raiva ou desentendimentos. Aprende a ler nas entrelinhas.

E aí, aqueles sentimentos que eu falei no post anterior, como ciúme, admiração, compaixão, afeto, solidariedade e até atração, podem ir brotando e revelando que por trás de tudo tem algo mais que um simples passatempo ao papear com alguém através de um teclado e um monitor. Esse algo é amor, de verdade. Amor sincero, por mais que não saiba exatamente pelo que está se apaixonando.

O engraçado é como a pessoa realmente se torna parte da sua vida. Você anda pela rua e se imagina mostrando a cidade para aquele seu amigo virtual. Toma café da manhã e imagina que ele está à sua frente enchendo a sua xícara e te contando o que sonhou hoje. Imagina-se compartilhando uma rotina com ele, assistindo filmes e comentando o jogo de futebol ao seu lado, ou se escondendo atrás das almofadas nas cenas de terror, por mais impossível que tudo isso seja de acontecer. O quê? Nenhum de vocês nunca imaginou tudo isso? Então acho que estou ficando louca, loLoLOloL

Anyway, o que eu estou querendo DESVENDAR aqui é como DIABOS um ser humano pode se apaixonar DE VERDADE por um... monte de pixels e ondas sonoras. Porque basicamente não é disso que ele passa: uma figura, um personagem, um... ideal. Porque ninguém mostra, na internet, 100% o que realmente é, e sim apenas as qualidades que julga ter. Ou os traços de personalidade que possui e não consegue (ou não tem coragem) de demonstrar na vida real. Ou as fotos photoshopadas e vídeos da cintura para cima. Ou... não, a pessoa também pode simplesmente não se importar com a aparência, além de só escrever o que dá na telha e pronto. E você pode até achar isso interessante. Mas de qualquer jeito, é quase sempre alguém bem diferente do que você imagina.

Mas esse monte de pixels e feixes de ondas sonoras é, sim, capaz de... conquistar alguém. Da mesma forma que um personagem de um romance fictício, por exemplo. O que eu ainda não consegui concluir é se, afinal, esse amor virtual é pura ilusão ou pode ser 100% sincero e coerente com a realidade. Será que quando você conhecer o cidadão pessoalmente vai continuar sentindo a mesma coisa ou irá tudo por água abaixo?

Não perca o próximo post.

3 ninguém mais vai comentar?:

outra pessoa aleatória disse...

Cara, eu acredito no relacionamento dar certo depois de sair da internet.

Principalmente porquê já passei por isso.

Mas, acho que o motivo pra se acabar depois de um tempo ou de dar certo seja principalmente a convivência e em perceber realmente como a pessoa é.

É um tiro no escuro. Pode dar certo, mas não pode. Conhecer pela internet não é um problema, mas sim um meio. O problema é a convivência.

uma pessoa aleatória disse...

o problema é... você se apega àquela pessoa que conheceu primeiro. quer dizer, se apega ao amigo virtual. quando ele deixa de ser virtual, aquela mágica toda some, manja? aquele mistério, aquela curiosidade. quer dizer, isso PODE acontecer. não é regra geral.

de duas uma: ou você descobre que não é nada daquilo, ou que é muito melhor. mesmo assim, TUDO É POSSÍVEL (dar certo ou não) e TUDO PASSA (seja o virtual ou o real). people change, sempre sempre sempre, seja qual for a situação. e isso é meio frustrante, mas se não fosse assim, creio que seria pior \o\

como diz luiz gonzaga (o escritor, não o músico), não se pode olhar sempre para a mesma paisagem, por mais bonita e reconfortante que seja.

mas enfim, divago. quero mais comentários antes de postar o último post. e eu pra variar tô semi-bêbada, lol

Tai disse...

Acho que se depois de muito tempo de convivência, mesmo que tudo pareça tímido no começo, acaba tendo um entrosamento, acaba dando certo. Tem grandes chances horas, eu conheço isso o_o eahuehauhe... Depende das duas pessoas, se for coisinha de 'vc eh mto foufo' - 'que nada, vc q eh foufa', não vira. Mas quando envolve de verdade, quando você só confia nas palavras daquela pessoa pra se resolver, aí sim. Flechada do cupid ;)