quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A razão me diz para investir na pessoa que está disposta a me dar o que eu preciso, e não naquela que não quer nada comigo.

A razão me diz para amar aquele que pensa em mim 24 horas por dia. Aquele que faria tudo por mim, que se preocupa e se sacrificaria por mim, aquele que não se incomoda em se declarar em público, que quer "ser só meu e que eu seja só dele" para sempre.

Mas a intuição me diz que, por mais que seja confortável, não devo investir num relacionamento com alguém se não sinto a mesma coisa por ele (ou mais).

E além do mais, quem disse que é dele que eu preciso ?

O amor não é uma moeda de troca. O amor é um fim em si mesmo.
E eu não preciso de alguém que me ame, preciso de alguém para amar.
Não quero alguém que sofra por mim, quero fazer alguém feliz.

Quero pensar em alguém 24 horas por dia e lisonjear-me com cada pensamento que ele dedicar a mim. Quero lhe dar jardins inteiros das mais raras flores e me emocionar com cada singela flor caída que ele se lembrar de me oferecer. Quero passar fome ao seu lado e deleitar-me com cada bocado que ele saboreie dos meus pratos, demonstrando satisfação. Quero massagear-lhe o corpo e o ego, fazer-lhe subir a auto-estima, comemorar suas conquistas e vitórias, incentivar seu sucesso, elogiar seus talentos, realizar seus sonhos, mudar sua vida.

Deixar-me amá-lo é o maior presente que ele pode me dar.



Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho, logo, mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples, busca a forma.

- Luís Vaz de Camões

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